Formulação fertilizante organomineral com ácido orgânico de baixa massa molecular

Número do processo: 
BR 10 2024 015343-0
Inventores: 
Cícero Célio de Figueiredo, Marcela Granato Barbosa dos Santos, Camila Rodrigues Costa, Jóisman Fachini, Gilberto de Oliveira Mendes, Eder de Souza Martins e Giuliano Marchi
Categoria: 
Patentes
Áreas de Atuação: 
Agronegócio
Problema/Aplicação Tecnológica: 

O agronegócio enfrenta o desafio de cultivar em solos de regiões tropicais que apresentam, naturalmente, baixa fertilidade, acidez elevada devido ao baixo pH, presença de elementos tóxicos como o alumínio e capacidade de troca catiônica reduzida. Para suprir a necessidade nutricional das plantas, a agricultura depende fortemente de fertilizantes químicos solúveis convencionais. No entanto, o Brasil importa cerca de oitenta e seis por cento desses insumos, criando uma dependência externa que ameaça a estabilidade do setor econômico. Além disso, os fertilizantes convencionais geram impactos ambientais severos, pois sua alta solubilidade causa lixiviação rápida de nutrientes, degradação, salinização e acidificação do solo, além de poluição de cursos d'água e emissão de gases de efeito estufa. Por outro lado, resíduos como o lodo de esgoto in natura possuem nutrientes, mas carregam patógenos perigosos à saúde pública e ao ambiente, enquanto fontes minerais alternativas, como os agrominerais silicatados ricos em potássio, possuem estruturas pouco solúveis de difícil assimilação pelas plantas.

A aplicação tecnológica desta invenção consiste em uma formulação fertilizante organomineral inovadora voltada para o setor agrícola, servindo como uma alternativa verde e sustentável aos adubos tradicionais altamente solúveis. A tecnologia se aplica diretamente no fornecimento equilibrado de macro e micronutrientes para as culturas vegetais, atuando simultaneamente como condicionador de solo e corretor de acidez em regiões cultivadas, promovendo um efeito alcalinizante na região próxima ao local de aplicação.

Diferencial: 

O diferencial fundamental desta invenção está na combinação sinérgica entre o componente orgânico e o componente mineral mediada por um agente solubilizador específico. Diferente de outras soluções do estado da técnica que utilizam sais altamente solúveis para enriquecer o biocarvão, como o cloreto de potássio que é proibido na agricultura orgânica e agride o meio ambiente, esta formulação emprega uma fonte natural de baixa solubilidade, que é o agromineral silicatado. O grande segredo tecnológico reside no uso de ácidos orgânicos de baixa massa molecular como agentes solubilizadores, que atuam quimicamente facilitando a liberação dos nutrientes travados tanto na estrutura do biochar de lodo de esgoto quanto no próprio mineral silicático.

Como resultado dessa interação química inovadora, a liberação de nutrientes essenciais, com destaque para o potássio, ocorre de forma lenta e sincronizada com as demandas metabólicas das plantas. Esse controle de solubilidade reduz drasticamente as perdas por lixiviação e volatilização. Além disso, o processo produtivo realiza o enriquecimento mineral após a pirólise do lodo de esgoto, gerando uma estrutura mineralógica única evidenciada por compostos como silicatos de potássio e óxidos de potássio e manganês, o que eleva o teor de potássio da formulação em até sete vezes quando comparado ao biochar puro, mantendo o insumo totalmente livre de patógenos.

Oportunidade: 
A tecnologia abre uma excelente oportunidade de mercado ao alinhar a destinação sustentável de resíduos urbanos em larga escala com a produção de insumos de alto valor agregado para a agricultura nacional. Ao transformar o lodo de esgoto tratado termicamente e os pós de rochas remineralizadoras locais em um fertilizante eficiente, a invenção diminui consideravelmente a dependência do mercado interno em relação à importação de matérias-primas e fertilizantes solúveis de potássio, mitigando os riscos associados às oscilações geopolíticas e econômicas internacionais. A formulação atende com precisão à crescente demanda global por práticas agrícolas sustentáveis e de baixo impacto ambiental, enquadrando-se perfeitamente nos critérios exigidos para sistemas de agricultura orgânica e regenerativa devido à ausência de cloro e de ácidos industriais agressivos. Há também uma clara oportunidade comercial para empresas de saneamento e indústrias de fertilizantes que buscam diversificar seus portfólios com produtos multifuncionais, os quais, além de nutrir a lavoura, funcionam como corretores de solos degradados e como agentes de sequestro de carbono estável no solo por longos períodos.
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